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O Preço da Sinceridade (Ou por que gestores odeiam quem tem os pés no chão)

Passamos nossas nove horas diárias mergulhados em uma cultura que exige inovação, engajamento e melhoria contínua. Mas existe um detalhe que os manuais de liderança corporativa esquecem de avisar: o mercado adora a ideia de melhoria, mas detesta quem aponta o que precisa ser melhorado. A desmotivação de um excelente profissional começa exatamente no momento em que ele percebe que a sua sinceridade é tratada como um incômodo.

Parece existir uma regra não escrita nas mesas de gestão de que a equipe precisa estar em constante estado de euforia. Se um projeto novo e cheio de falhas é apresentado e você — com a experiência de quem já viu dezenas de coisas parecidas darem errado — levanta a mão para questionar os riscos, o rótulo é automático: você virou o "pessimista" do grupo.
A grande ironia é que toda equipe precisa desesperadamente de um "chato" com os pés no chão. É o profissional que faz a pergunta difícil, que aponta a falha de segurança na infraestrutura, que lembra do prazo irreal. É esse suposto pensamento negativo que evita que a empresa jogue rios de dinheiro em ideias que não param em pé. Mas, para um gestor que sobrevive de aparências e discursos motivacionais vazios, a realidade é uma ofensa pessoal.
O resultado dessa dinâmica é o silenciamento e a morte do engajamento. Quando a crítica construtiva é punida com isolamento, falta de apoio ou perda de oportunidades, o colaborador entende o recado. A falta de escuta da gestão ensina a equipe a parar de se importar. Você passa a assistir aos erros acontecerem em câmera lenta, cruza os braços e entrega apenas os "sorrisos e acenos" que a liderança tanto deseja. Afinal, é exaustivo tentar salvar o projeto de um capitão que faz questão de acelerar em direção ao iceberg.
A desmotivação, nesses casos, não é falta de vontade de trabalhar. É a constatação dolorosa de que a sua inteligência e a sua visão crítica não têm espaço ali.
Se o seu gestor prefere o otimismo cego à realidade dos fatos, poupe sua energia mental. Guarde seu senso crítico para os seus próprios projetos. Faça o seu, entregue o combinado e deixe o barco seguir o curso que a gestão escolheu.
O turno acabou. 

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