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O Efeito Dominó das Férias (E como não afundar com o barco)


É um fenômeno quase sobrenatural no mundo corporativo. Basta um colega configurar o e-mail automático de "estou de férias" para que uma avalanche de demandas adormecidas desperte e caminhe misteriosamente na sua direção. Você começa as suas nove horas de expediente achando que vai ser apenas mais um dia de cobrir algumas tarefas básicas, mas, quando pisca, o seu nome virou o único balcão de atendimento do setor.

A verdade é que as empresas raramente se planejam de forma decente para as férias de alguém. O plano de contingência oficial quase sempre se resume a um tapinha nas costas e um "você segura as pontas, né?". E é nessa hora que o instinto de sobrevivência precisa falar mais alto do que a vontade de ser o herói do departamento.
Se você está cobrindo as férias de alguém e sentindo a água bater no pescoço, aqui vão algumas regras de ouro para não afundar até o retorno do seu colega:

1. O filtro da falsa urgência: Quando a pessoa de referência não está, quem pede a demanda tende a classificar tudo como "para ontem" por puro pânico. Questione os prazos reais. A maioria das tarefas urgentes pode, sim, esperar até a semana que vem.

2. Pare de abraçar o mundo: Cobrir férias não significa fazer o seu trabalho inteiro somado ao trabalho inteiro do outro. Significa manter o essencial funcionando. Entregue o básico e deixe o que for secundário na fila de espera. Você não tem quatro braços e não ganha dois salários.

3. Dê visibilidade ao gargalo: Não sofra em silêncio. Se a carga está insustentável, deixe claro para os gestores o que está sendo pausado. "Para eu assumir essa tarefa da pessoa X que está de férias, vou precisar congelar a entrega Y. Estamos de acordo?" Jogue a decisão de prioridade de volta para quem tem o cargo de liderança.

4. Cuidado com o "já que você está mexendo nisso...": O clássico bote corporativo. As pessoas aproveitam que você está quebrando um galho para empurrar ajustes que o seu colega já tinha negado. Mantenha o escopo fechado. Responda apenas pelo que foi oficialmente repassado.

No fim das contas, as férias do outro não podem ser a sua punição. Faça o seu melhor dentro do seu limite de tempo, feche a máquina e vá descansar. O setor não vai colapsar em trinta dias — e se colapsar, o problema de estrutura é bem maior do que a sua capacidade de apagar incêndios.

Fim do turno. 

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