A gente passa o dia inteiro tentando organizar o caos. Na teoria, a vida corporativa deveria funcionar como um painel de governança perfeito: você define as regras, estipula as métricas e organiza os problemas em tarefas bonitinhas no sistema. Mas a verdade nua e crua é uma só: o comportamento humano é impossível de ser parametrizado.
Sempre vai ter aquele colega que abre um "chamado" na sua mesa sem explicar o que quer, ou aquela reunião de alinhamento que destrói a sua manhã e que, no fundo, todo mundo sabe que poderia ter sido resolvida com um simples e-mail de três linhas.
E assim a gente entra no loop de segunda a sexta. Os dias começam a se misturar numa neblina de e-mails lidos pela metade e cafés mornos. A nossa única boia de salvação no meio desse mar é a hora sagrada do almoço. Aqueles sessenta minutos cronometrados onde a gente quase engole a comida inteira em vinte, só para ter o luxo de passar os outros quarenta em absoluto silêncio, rolando a tela do celular e fingindo que as pendências do lado de fora não existem.
Mas o verdadeiro teste de resistência começa quando o expediente finalmente acaba. O "modo funcionário" é desligado a muito custo, e a gente encara a segunda batalha do dia: o trajeto.
O trânsito pesado voltando para casa no fim da tarde — ou em qualquer outro cenário caótico da cidade — transforma o carro ou o transporte público no nosso confessionário silencioso. É ali, com o fone de ouvido tocando uma playlist qualquer para abafar o barulho, que a cabeça ferve processando todos os "bugs" da firma.
A gente só volta a respirar de verdade quando a chave finalmente gira na porta. A família conversando, o bicho de estimação cobrando o jantar... O CPF finalmente reassume o controle e a paz momentânea se instala.
Se você também vive esse ciclo, tenta domar a bagunça do dia a dia e conta os minutos para o alívio de fechar as abas do navegador, puxa uma cadeira. Não sou nenhum especialista em comportamento da mente humana, sou apenas alguém tentando não dar tela azul no meio da tarde.
O turno acabou. Pode respirar.

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